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Sobre a Clínica e os Serviços Oferecidos

A Clínica Ohr  Psiquiatria foi concebida com o objetivo de oferecer soluções inovadoras e eficientes aos problemas de saúde mental que geram grande sofrimento a muitas pessoas e famílias.

Felizmente, vivemos numa época em que grandes avanços estão ocorrendo. No entanto, muitas vezes e por motivos diversos, estes avanços não são rapidamente disponibilizados ao público em larga escala.

“Ohr” significa “luz” em hebraico, pois a nossa missão é iluminar os caminhos das pessoas que, muitas vezes, já perderam as esperanças.

Por isso, além de oferecer o melhor do tratamento psiquiátrico convencional para diversos problemas e diagnósticos, possibilitamos o acesso a avanços importantes no campo da psiquiatria por um preço justo tão logo haja evidência científica de eficácia.

Sendo assim, somos pioneiros no uso da cetamina para o tratamento da depressão e na aplicação do Método Sinclair de tratamento e cura do alcoolismo. 

No nível psicológico, o método capaz de oferecer os melhores e mais rápidos resultados tanto no tratamento da depressão e quanto do alcoolismo é a hipnoterapia. Por isso, também utilizamos esta poderosa ferramenta na clínica.

A Consulta e o Diagnóstico

É sempre necessário que o  diagnóstico seja preciso e abrangente para que o tratamento seja bem sucedido, independente do método escolhido. 

Por incrível que pareça muitas pessoas já tropeçam logo neste primeiro passo em direção ao alívio dos sintomas.

Infelizmente, muitas vezes, o diagnóstico está incorreto ou incompleto.

Por exemplo, a depressão unipolar deve ser diferenciada da bipolar e vice versa. Caso isto não seja bem feito, você pode ser prejudicado.

Além disso, é fundamental identificar a presença de traumas que apontem para um transtorno do estresse pós traumático ou que estejam impedindo a sua melhora.

Posteriormente, é necessário verificar a existência de algum outro problema clínico ou psiquiátrico que possa estar sendo um obstáculo para o sucesso do seu tratamento.

Por isso, se você tiver exames recentes não se esqueça de levá-los para a consulta. Exames de sangue, de imagem cerebral e do coração podem ser úteis tanto para o diagnóstico quanto para acelerar o começo do melhor tratamento para você.

Durante a avaliação, eu também irei averiguar cuidadosamente o seu histórico de tratamento, tentando relacionar o uso de determinadas medicações com os seus resultados e efeitos adversos.

Após esta avaliação minuciosa, o melhor tratamento para você ou seu familiar será indicado.

Depressão

A Clínica Ohr Psiquiatria é especializada no alívio do sofrimento psíquico de pessoas que, como você ou seu ente querido, ficaram frustradas com os resultados dos tratamentos para depressão tentados até agora.

Isto é feito unindo o que há de mais avançado no tratamento da depressão com uma avaliação minuciosa do seu diagnóstico

A necessidade de avanços no tratamento da depressão é premente, uma vez que cerca de 60% das pessoas que se tratam com antidepressivos ficam frustradas com os resultados obtidos.

O Tratamento 

Apesar destas limitações, estes remédios podem ser úteis para algumas pessoas.

Sendo assim, a maioria dos medicos ainda costuma prescrevê-los como primeira opção para casos leves a moderados. 

Em alguns casos, entretanto, pode-se dar preferência a fitoterápicos que tenham evidência científica de eficácia equivalente a dos antidepressivos farmacoquímicos. Dessa forma, é possível obter o mesmo resultado com menos riscos e menos efeitos adversos. 

No entanto, em nossa clínica,a hipnoterapia é indicada como primeira opção de tratamento para a depressão devido a sua eficácia e à ausência de efeitos adversos. Leia mais adiante nesta página uma descrição completa sobre a hipnoterapia. 

A terceira opção é o tratamento com infusões de doses baixas de cetamina.  

O diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, Thomas Insel, disse o seguinte sobre este tratamento:

“Este é o maior avanço na terapia antidepressiva das últimas décadas”. 

As pesquisas publicadas em revistas internacionais de grande importância no meio científico apontam que cerca de 70% dos pacientes que não melhoram com os antidepressivos convencionais, respondem a este método de tratamento.

Em muitos casos, a pessoa melhora após algumas horas em vez de ter que esperar de duas a oito semanas para obter alívio dos sintomas  como no caso do tratamento convencional. 

Por isso, esta alternativa é indicada quando  é necessário que a pessoa melhore com urgência ou quando a pessoa não responde bem ao tratamento convencional. 

Apesar desta evidencia científica robusta, este tratamento ainda é “off label”, pois esta indicação ainda não consta na bula do medicamento.

Neste link, respondo as perguntas mais frequentes sobre o uso da cetamina no tratamento da depressão.

Caso você tenha se interessado por este tratamento inovador e queira obter mais informações a respeito, recomendo que visite o seguinte website: ketamineadvocacynetwork.org.

Ele foi feito por pacientes que se trataram com a cetamina e tiveram boa resposta. Por isso, acharam importante divulgar.

O site é em inglês, mas você pode traduzi-lo clicando no botão direito do seu mouse.

Muitas clínicas no EUA já estão usando este tratamento com bons resultados. Sugiro  que você visite os websites de algumas delas como este aqui: http://www.princetonketamine.com/

Alcoolismo e Dependência Química: Método Sinclair

O alcoolismo e a dependência química sempre foram vistos pela medicina contemporânea com doenças incuráveis. Isso até bem pouco tempo atrás era uma realidade, levando a destruição de muitas vidas e famílias.

Felizmente, graças a longa pesquisa de um cientista finlandês chamado John David Sinclair, hoje temos a possibilidade de curar cerca de 80% dos casos de alcoolismo, utilizando o método desenvolvido por ele conhecido como Método Sinclair ou de Extinção Farmacológica. Nos casos de outras dependências químicas como a de cocaína, ainda não temos dados estatísticos tão precisos, mas os mesmos princípios podem ser aplicados eficazmente no seu tratamento.

Além de ser capaz de curar o alcoolismo e ser muito promissor para outras dependências químicas, a extinção farmacológica tem outras vantagens em relação aos outros métodos de tratamento: não exige reconhecimento do alcoolismo ou dependência química, internação, desintoxicação ou abstinência. Ademais, é bem simples e barato.

Lamentavelmente, este método ainda é pouco conhecido especialmente no Brasil. Sendo assim, apesar deste avanço científico, ainda há muito sofrimento evitável decorrente desses problemas por conta da falta de divulgação. Espero poder contribuir com a difusão do método em nosso país.

Apresentação do Método Sinclair

Existe Cura para o Alcoolismo?

Sim. Por mais surpreendente que isso possa parecer, já existe essa cura para o alcoolismo. Ela é fruto de um trabalho de pesquisa de um cientista finlandês chamado David Sinclair. Ele passou a vida estudando a dependência de álcool e as possibilidades de tratamento. Inicialmente, em ratos e depois em humanos. Hoje, já há uma série de estudos clínicos controlados com placebo que comprovam a eficácia do método Sinclair também conhecido como extinção farmacológica.

E para outras Dependências Químicas?

Neste caso, a resposta é menos direta pois há menos pesquisas sobre este método de tratamento para a dependência de outras drogas. Dessa maneira, não é possível afirmar categoricamente que há uma cura. Todavia, há bastante evidência científica de que o método também pode ser utilizado com sucesso para dependência de cocaína, tabaco e opióides. Na última parte do post, especifico melhor como isso pode ser feito.

Quais são os resultados das pesquisas clinicas?

Os resultados destes estudos mostram que cerca de 80% dos alcoolistas que tentam o método são curados. Isso é impressionante se considerarmos que até então o alcoolismo e outras dependências químicas eram consideradas incuráveis. De fato, na minha opinião, esta é uma das maiores contribuições da neurociência e da psicologia comportamental para a psiquiatria já feita. Há pesquisas que apontam na mesma direção para o tratamento da dependência de outras drogas como cocaína, tabaco e opióides.

No que consiste este método?

Este método é bem mais simples do que quaisquer outros oferecidos. Não é necessária a admissão do alcoolismo ou dependência química, nem a desintoxicação, nem a internação nem a abstinência tampouco os alcoólicos ou narcóticos anônimos. Com isso, a decisão de buscar um tratamento passa a ser bem mais simples, uma vez que há apenas benefícios ligados a esta decisão.

O método consiste no seguinte: a pessoa toma um remédio bloqueador do receptor de opióides toda vez que for beber. Mais precisamente, ao menos, uma hora antes de beber. Este remédio faz com que o cérebro desaprenda o alcoolismo. Isso deve ser feito sistemática e consistentemente por pelo menos 4 meses para que os efeitos sejam sentidos de maneira mais completa. No entanto, na minha experiência, em um mês já costuma ser possível observar resultados.

Este medicamento é controlado e só vendido sob prescrição médica. Todavia, não apresenta muitos efeitos adversos nem provoca alterações no estado de consciência.

O mesmo método pode ser usado com algumas modificações para dependências químicas como a de cocaína. Na última parte do post detalharei melhor isso.

Para quem é indicado?

Para qualquer pessoa que sinta que possa estar tendo algum prejuízo gerado por conta do uso do álcool ou outra droga. Desde alguém que esteja perdendo o controle nos finais de semana até alguém que esteja completamente sem controle, bebendo ou usando todos os dias e que já tenha tentado outras formas de tratamento sem sucesso.

Qual o resultado esperado?

Que a pessoa passe a ter uma relação com o álcool ou outras drogas semelhante a de um indivíduo que não é alcoolista ou dependente químico. A pessoa  volta a ter o relacionamento com o álcool ou outra droga que ela tinha antes de desenvolver o alcoolismo ou a dependência química.

Se é tão bom e comprovado por que ainda não tinha ouvido falar deste método?

Há alguns motivos para você não ter conhecido este método antes:

  1. há muita informação circulando sobre este problema, então é difícil chegar na que realmente importa. Isso é verdade tanto no meio cientifico quanto no meio leigo. Sendo assim, nem mesmo os profissionais costumam conhecer o método Sinclair.
  2. Não há mais interesse econômico da industria farmacêutica em relação a naltrexona uma vez que a sua patente já expirou. A industria costuma ser uma grande promotora de tratamentos tanto para médicos quanto para pacientes.
  3. Não há interesse econômico de muitos profissionais e clínicas de internação que têm uma estrutura toda voltada para o tratamento tradicional.
  4. Uma verdade cientifica costuma ser incorporada muito lentamente. Especialmente, quando há uma quebra de paradigma muito grande como neste caso. Esta quebra se dá tanto pelo método que envolve a continuação do comportamento de beber quanto a idéia de que é possível curar a dependência. Ambas são novidades bem revolucionarias e contrariam tudo o que vem sendo feito neste campo há um século.
  5. O medicamento utilizado neste método já é aprovado para o tratamento do alcoolismo. No entanto, se o método Sinclair não é seguido e ele é feita em conjunto com a abstinência, ele não tem efeito. Então, ela é conhecida por profissionais e pacientes apenas como um fraco ajudante no processo de tratamento do alcoolismo. Isso dificulta a compreensão de que se usada de uma maneira específica ela se torna um agente de cura.
  6. No Brasil, este tratamento é ainda menos conhecido do que no resto do mundo tanto pelos profissionais quanto pela população devido a barreira do idioma. A literatura cientifica sobre o metodo é toda em inglês. Infelizmente, O livro que busca divulgar o método ao publico do Dr. Roy Eskapa, The Cure for Alcoholism, só é encontrado em inglês nas livrarias brasileiras. Da mesma maneira os vídeos da atriz americana, Claudia Christian, que se curou com o método Sinclair e hoje trabalha na sua divulgação também estão em inglês.

A Ciência por trás do Método Sinclair

Introdução

Para chegar a este método simples e eficaz, Sinclair teve que utilizar conhecimentos de diversas ciências: biologia, genética, neurociência, psicologia comportamental e medicina. Todavia, o que mais importa é o seguinte dado: estudos clínicos bem feitos controlados com placebo comprovam que cerca de 80% dos alcoolistas se curam caso façam o tratamento. Mesmo assim, acho importante fazer um resumo do caminho para a descoberta.

O Efeito da Abstinência do Álcool e Outras Drogas

A primeira observação que Sinclair obteve de sua pesquisa cientifica foi que quanto mais tempo o alcoolista fica abstinente do álcool, mais fissura ele tem. Isso explica por que muitos pacientes alcoolistas altamente motivados podem manter a abstinência por alguns meses, mas eventualmente acabam recaindo. A fissura aumenta a um ponto insuportável, tornando o controle consciente do comportamento praticamente impossível.

Imagine você ficar sem beber água ou outros líquidos há 30h. Seria difícil evitar bebê-la assim que esta fosse disponível? Para um alcoolista, o álcool exerce o mesmo efeito.

Sobre um dependente de cocaína, por exemplo, pode-se afirmar o mesmo.

Alcoolismo e Dependência Química:  Transtornos Comportamentais Aprendidos

A segunda observação foi que o alcoolismo era um comportamento aprendido por pessoas com uma genética que favorecesse o seu desenvolvimento.

O álcool e outras drogas são capazes de gerar reforço positivo e, com isso, estimulam o comportamento de usá-los novamente. Se a pessoa usar com uma frequencia grande, a fissura por este comportamento fica tão intensa que este já ultrapassa a capacidade de controle do indivíduo. Sinclair se baseou nos estudos comportamentais do pesquisador russo, Ivan Pavlov que ganhou o prêmio Nobel em 1904 ao descobrir o aprendizado por condicionamento. Basicamente, ele descobriu que um estimulo neutro pode ser pareado com um estimulo positivo ou negativo de maneira que este estimulo neutro passe a causar o comportamento ligado ao estimulo positivo ou negativo.

Extinção

No entanto, Pavlov não descreveu apenas uma forma de aprendizado, mas também uma maneira de desaprender: a extinção. Ele descobriu que se este estímulo neutro fosse apresentado diversas vezes sem o estimulo positivo ou negativo, aos poucos, o condicionamento era desfeito. Ou seja, se ele descobrisse alguma maneira de desconectar o álcool do estimulo positivo gerado por ele no cérebro seria possível extinguir o comportamento do alcoolismo.

Como o álcool e outras drogas geram o reforço positivo no cérebro?

O álcool faz isso, principalmente, por meio da ativação do sistema de recompensa no cérebro. Esta ativação ocorre devido a liberação de endorfinas que geram a sensação de prazer quando a pessoa bebe. A cocaína ativa este sistema de recompensa também por meio de monoaminas como a dopamina e a noradrenalina. Já a nicotina o faz por meio do sistema nicotínico.

Seja qual for a droga e o mecanismo, o cérebro acaba por aprender, sem a pessoa perceber, que este comportamento é importante e reforça as sinapses ligadas a ele. Uma analogia: se inicialmente, os circuitos cerebrais ligados ao comportamento de beber eram antes ruelas agora elas se tornaram grandes avenidas.

 A grande idéia: a extinção farmacológica

Considerando tudo isso, Sinclair teve sua grande idéia: usar um antagonista de receptores de endorfinas, para evitar que o álcool consiga promover o seu reforço positivo. Em uma pessoa que ainda não se tornou dependente, isso previne o desenvolvimento. No caso de uma pessoa que já se tornou dependente, isso promove a extinção farmacológica do comportamento e acaba com o problema. Isto é, cura o alcoolismo. Quando falo em cura, realmente, é isto que quero dizer. Pois, este tratamento reverte o processo cerebral que causou o alcoolismo. Quando um órgão volta ao seu funcionamento normal após um tratamento, chamamos isso de cura em medicina.

Evidências científicas indicam que o mesmo pode ser feito no tratamento da dependência de cocaína, nicotina e opióides. Leia mais adiante.

A Diferença entre o Método Sinclair e Todos os Outros Tratamentos para o Alcoolismo

Cura x Controle

A primeira diferença que salta aos olhos é que com este método é possível alcançar a cura. Ou seja, reverter os processos biológicos que acarretam a doença. Já os outros métodos de tratamento são baseados em aumentar o auto controle. Para isso são usadas estratégias medicas como a desintoxicação com substituição farmacológica e o tratamento de comorbidades como a depressão; estratégias comportamentais como evitar lugares, pessoas e situações conectadas ao comportamento de beber; a psicoterapia individual e familiar que tem o objetivo de reduzir os gatilhos emocionais que levam a recaídas e o desenvolvimento da espiritualidade no qual se baseia o Alcoólicos Anônimos. Este último método também é uma maneira de promover o aumento do auto controle. Basicamente, se uma pessoa se espiritualiza ela desenvolve a sua capacidade de exercer seu livre arbítrio e, com isso, tem mais chances de conseguir controlar seus vícios. No entanto, isso costuma funcionar bem justamente para pessoas que não são dependentes químicos, mas não funciona bem para os que são. Todos nós temos nossas fraquezas. Se nos desenvolvermos espiritualmente, poderemos controla-las. Todavia, a disfunção cerebral ligada ao alcoolismo praticamente inviabiliza este auto controle que, em geral, todos nós podemos desenvolver.

Sendo assim, não surpreende que estes métodos sejam tão pouco eficazes para a maioria das pessoas. Nenhum deles enfoca a reversão da disfunção cerebral que gera o alcoolismo. Por isso, o método Sinclair tem cerca de 80% de resultado positivo enquanto os outros métodos mesmo combinados têm apenas uma taxa de 10 a 15%.

Evita várias Dificuldades Relacionadas com outros Tratamentos: Reconhecimento do Alcoolismo, Desintoxicação,  Internação e Abstinência.

O método Sinclair não exige que o indivíduo admita o seu alcoolismo ou dependência química e o seu completo descontrole em relação a bebida ou droga. Ao contrario, ele também é eficaz na prevenção do desenvolvimento do alcoolismo e para aqueles casos em que há um problema com a bebida ou droga, mas que ainda não se enquadrem no diagnóstico de alcoolismo.

Outra diferença é que, ao contrario dos outros métodos de tratamento, a desintoxicação é feita gradualmente, à medida que a pessoa for reduzindo a quantidade de bebida. Isso é vantajoso já que a desintoxicação abrupta pode acarretar um episódio de confusão mental com risco de morte conhecido como delirium tremens e convulsões. Para evitar estas complicações os médicos costumam prescrever calmantes que impedem esta reação. Com isso, muitas vezes, a pessoa acaba desenvolvendo uma segunda dependência química: a de benzodiazepínicos. Sobre a dependência de cocaína e nicotina pode-se afirmar o mesmo.

Quanto a abstinência, ela é contra indicada até que a pessoa se cure. É necessário que a pessoa beba ou use a droga em conjunto com o tratamento para que os circuitos cerebrais que foram reforçados pelo comportamento de beber, se enfraqueçam e o comportamento seja extinto. Só depois que isso ocorre que a pessoa pode optar por não beber mais ou não usar mais drogas se assim escolher. Os outros métodos, por outro lado, pregam a abstinência desde o primeiro dia. Com esta interrupção abrupta, há o risco do delirium tremens e outros sintomas de abstinência bem como do aumento da fissura devido ao efeito da abstinência do álcool.

Como curar a dependência de uma droga com outra droga pode ser efetivo?

Talvez, por conta do que acabei de explicar sobre o uso de calmantes na desintoxicação do alcool e outras drogas, os grupos que são contrários ao uso de fármacos para o tratamento de dependência química tenham alguma razão. De fato, às vezes, a pessoa pode acabar com mais uma dependência e não se curar da original.

No entanto, ao avaliarmos algo tão relevante como o método Sinclair não devemos deixar que nossas ideologias nos impeçam de enxergar a realidade: que ele funciona como uma cura por meio do uso de medicamento especifico de determinada maneira.

Neste caso, o medicamento antagonista de endorfinas não altera a consciência nem gera dependência química. Dessa maneira, não é uma droga no sentido negativo da palavra. De fato, se usada da maneira correta, ela é uma cura. O mesmo ocorre com antagonistas nicotinicos, dopaminergicos e noradrenergicos que podem ser utilizados para outras dependências químicas. Entenda melhor na próxima parte do post.

Portanto, devemos colocar nossas ideologias em perspectiva e confrontá-las com a realidade em vez de tentar enquadrar a realidade dentro das limitações das nossas ideologias.

Barato e Simples

Nem se compara tomar um comprimido de um medicamento toda vez que for beber com todos estes outros métodos caros e/ou complexos que envolvem intermináveis sessões de psicoterapia, repetidas internações e grupos quase diários de alcoólicos anônimos. Na dependência química, o mesmo se aplica.

O Método Sinclair Funciona para Outros Vícios também como Dependência de Cocaína, Jogo, Tabagismo, Dependência de Opióides e Dependência de Maconha?

Há dados científicos que indicam ser possível e efetivo usar este método também para outras dependências químicas. Muitas vezes, no entanto, é necessário fazer alguns ajustes.

Cocaína/Crack

Há diversos estudos demonstrando que o antagonista opióide é capaz de reduzir o prazer e a euforia gerados pela cocaína ou crack. Isso indica que a ele e o método Sinclair podem ser usados também nestes casos. Neste sentido, uma pesquisa clínica realizada no Texas demonstrou que os pacientes dependentes de cocaína ficaram completamente abstinentes  no último terço do estudo quando submetidos a um protocolo que permitia a extinção farmacológica. No entanto, sabemos que a cocaína atua no cérebro primordialmente por meio do aumento da disponibilidade sináptica de dopamina e noradrenalina, inclusive em regiões mesolímbicas como o sistema de recompensa cerebral. Neste contexto, há estudos apontando que o uso de antagonistas de receptores dopaminérgicos e antagonistas de receptores alfa 1 adrenérgicos reduzem o prazer e a euforia geradas pelas cocaína. Dessa maneira, é importante adicionar o bloqueio destas outras vias neuronais para utilizar o método de extinção farmacológica com sucesso nos casos de dependência de cocaína. Um desses estudos está disponível nas referências abaixo.

Jogo Patológico

Já há estudos que mostram a eficácia do antagonista opióide para o jogo patológico. O jogo também estimula o sistema de recompensa cerebral via endorfinas. Muito provavelmente, este medicamento funciona da mesma maneira neste caso: extinção farmacológica.

Tabagismo

Até o momento não há evidencia científica de que o sistema opióide esteja envolvido na dependência de nicotina. No entanto, há evidência de que o  método de extinção farmacológica pode ser usado para tratar a dependência de tabaco. O Dr. Jed Rose, chefe do Programa de Pesquisa sobre Nicotina do Centro Medico dos Veteranos de Guerra Americanos, relata resultados muito bons utilizando este método. Aqui no Brasil, é possível utilizar um agonista parcial nicotínico para este fim. Este fármaco já é aprovado para o tratamento do tabagismo.

Opióides

Já há estudos que comprovam a eficácia do antagonista de endorfinas para o tratamento da dependência de opióides. Neste caso, a relação biológica é bem mais óbvia, uma vez que estas substâncias estimulam diretamente o sistema das endorfinas cerebrais. Por isso mesmo, neste caso, o método Sinclair deve ser precedido pela desintoxicação, já que se for feito o bloqueio opióide de forma abrupta, isso pode precipitar uma grave crise de abstinência.

Maconha

Não há evidência de que o bloqueio de receptores opioides seja eficaz para o tratamento da dependência de maconha. Todavia, é muito provável que a extinção farmacológica baseada em um antagonista dos receptores canabinóides se mostre eficaz. Recentemente, um medicamento com esta característica foi lançado inicialmente como um tratamento para emagrecimento. Ele poderia ser uma boa opção, no entanto ele acabou sendo retirado do mercado por conta de efeitos adversos psiquiátricos, impossibilitando o seu uso para estes casos no momento. Mesmo assim, pesquisas que abordem esta questão se fazem necessárias, já que cerca de 9% dos usuários de maconha são dependentes da substância.

Na página da Clínica Ohr no youtube, você pode encontrar estas informações em vídeo. Clique aqui e assista.

Se você é familiarizado(a) com inglês ou espanhol e deseja mais informações sobre este método de tratamento e cura do alcoolismo recomendo que  clique nos seguintes links e que assista aos vídeos abaixo.

Pdf Livro do Dr. Roy Eskapa ” A Cura para o Alcoolismo” em espanhol:

http://docplayer.es/1693729-Cura-dr-roy-eskapa-del-alcoholismo-e-l-m-e-t-o-d-o-s-i-n-c-l-a-i-r-una-cura-del-alcoholismo-medicamente-probada-prologo-de-dr-david-sinclair.html

Compra do livro do Dr. Roy Eskapa ” A Cura para o Alcoolismo” em inglês:

https://www.amazon.com/Cure-Alcoholism-Medically-Eliminate-Addiction-ebook/dp/B009G1TID4/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1489763587&sr=8-1&keywords=the+cure+for+alcoholism

Artigo científico de revisão sobre o método escrito de autoria do próprio David Sinclair:

https://goo.gl/8zrXqy

Artigo científico sobre os efeitos do bloqueio do receptor alfa 1 adrenérgico nos sintomas subjetivos causados pela cocaína:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23306096

Site da fundação que tem o objetivo de divulgar o método:

http://cthreeeurope.com/tag/c3-foundation/

Neste vídeo, você assiste ao depoimento da atriz americana Claudia Christian sobre a cura do seu alcoolismo por meio do método Sinclair.

Neste link, você pode ver um documentário que ela produziu sobre o método.

Se você quiser, assistir a um vídeo do próprio Sinclair explicando o método, clique aqui.

Hipnose e Hipnoterapia: O que são e como podem te ajudar?

O Modelo da Mente 

Para que você compreenda as respostas a estas perguntas é necessário que você primeiro conheça o modelo da mente que utilizamos na hipnose clínica. Este modelo subdivide a mente em 3 camadas: o consciente, o subconsciente e o inconsciente.

O consciente é uma camada que exerce quatro funções básicas: tomada de decisão, raciocínio, força de vontade e memória consciente. Basicamente, são as funções que usamos para o nosso cotidiano e para o nosso trabalho.

O inconsciente é a camada que regula as funções corporais como o sistema nervoso autônomo, o sistema endócrino e o sistema imunológico. Por isso, vemos que muitas doenças crônicas têm relação com problemas de saúde mental. Por exemplo, a evidência científica demonstra que as pessoas que sofrem de câncer e que têm depressão morrem mais do que as pessoas com câncer que não têm depressão.

Já o subconsciente é a camada da mente onde estão os problemas das pessoas que procuram um psiquiatra ou um terapeuta. Ele é o responsável pelas emoções, pelo instinto de auto-preservação, pelos hábitos, pela imaginação e pela memória subconsciente. Esta última, guarda todos os eventos com relevância emocional que aconteceram na vida da pessoa desde a mais tenra idade. Estes eventos moldam as reações emocionais e os comportamentos que as pessoas terão ao longo de suas vidas. Então, o indivíduo passa a ter certos comportamentos e pensamentos disfuncionais por conta de eventos dos quais muitas vezes ele nem se lembra conscientemente. Exemplo: uma pequena menina de 3 anos se sentiu culpada em um evento em que viu o amigo apanhando da mãe por conta de um comportamento dela, depois aos 7 anos houve mais um evento aparentemente banal em que sentiu culpa, então aos 12 anos a amiga da qual ela tinha se afastado foi assassinada. Novamente, ela sente culpa. Pronto. Este sentimento já está na programação subconsciente dessa mulher de 40 anos. Qualquer evento negativo que aconteça na vida dela, vai gerar o sentimento de culpa automaticamente. Resultado para boa parte dos casos como este: depressão.

Há um quarto elemento neste modelo chamado fator crítico. Ele funciona como uma barreira do consciente que serve para obstruir a entrada de informações indesejadas ao subconsciente.

Vale ressaltar que este modelo, apesar de simples, reflete muito bem a anatomia cerebral: as funções da mente consciente são exercidas pelo córtex pré frontal, as da mente subconsciente pelo sistema límbico e as da mente inconsciente pelo tronco cerebral e pelo hipotálamo. O fator crítico, por outro lado, pode ser relacionado com os dados ressonância magnética funcional. Estes dados demonstram que a ativação do córtex pré frontal inibe o sistema límbico e vice-versa.

Hipnose

A hipnose é um estado de consciência em vigília no qual a camada subconsciente toma a frente enquanto a camada consciente fica no pano de fundo. No estado de vigília comum é o contrário.

Dessa maneira, o estado de hipnose facilita o acesso e a reprogramação dos conteúdos do subconsciente como emoções, memórias, imaginação, hábitos e vícios.

Um exemplo bem simples e comum deste estado de hipnose é assistir a um bom filme que nos prende a atenção e nos emociona. Perceba como entramos na história, esquecemos das nossas questões e suspendemos o nosso fator crítico quando isso acontece. O fator crítico neste caso é o que nos diz que é apenas um filme e que, portanto, não faz sentido nos emocionarmos. Suspendemos este julgamento quando nos deixamos levar pelo filme. Por outro lado, quando continuamos a pensar que é apenas um filme simplesmente não entramos na história e de fato não nos emocionamos.

Este exemplo demonstra que hipnose não é sobre ficar inconsciente ou perder o controle. Assim como isso não acontece enquanto assistimos a um filme, isso também não acontece em uma sessão. Hipnose é sobre estar focado, mais imaginativo, mais emotivo e mais sugestionável. Uma vez que o fator crítico está aberto, as sugestões penetram mais facilmente em nossa mente subconsciente. Por este motivo que o cinema e a televisão têm grande impacto na cultura e no comportamento de uma sociedade. As sugestões do roteirista e do produtor são aceitas muito mais facilmente enquanto as pessoas estão hipnotizadas pelo filme.

Hipnoterapia

É a terapia que é feita com o paciente em estado de hipnose. Por ter acesso mais direto ao subconsciente do paciente, esta terapia costuma ser mais eficiente e mais rápida que outras. Diversas técnicas provenientes de várias escolas de psicoterapia podem ser utilizadas com sucesso, já que a hipnose funciona como um catalisador para qualquer técnica.

No entanto, a mais impressionante e associada com hipnose hoje em dia é a regressão.

A regressão é feita utilizando a emoção mais incômoda como uma ponte que nos leva até os primeiros eventos nos quais o indivíduo sentiu aquela emoção. É muito comum encontrar eventos anteriores a idade escolar dos quais a pessoa não se recordava conscientemente.

Ao fazermos a regressão, utilizamos técnicas de ressignificação e dessensibilização destes eventos iniciais. Mesmo que isso seja feito apenas mentalmente, esta ressignificação é muito poderosa, pois para o subconsciente não há diferença entre um evento real ou imaginário. Então, para o subconsciente é como se realmente aquilo que foi imaginado durante a sessão tivesse ocorrido. Dessa forma, é possível neutralizar os efeitos negativos destes eventos na mente e no comportamento da pessoa. Mudamos a programação subconsciente do indivíduo, trocando-a para uma mais saudável.

Com esta técnica somos capazes de fazer o que o famoso Sigmund Freud dizia ser o objetivo da psicoterapia: encontrar e ressignificar as causas subconscientes dos transtornos emocionais. Ele dizia também que as técnicas eficazes para isso ainda estavam por ser desenvolvidas. Felizmente, hoje temos estas técnicas.

Na verdade, Freud acreditava que apenas a compreensão da causa do problema já seria suficiente para resolvê-lo. Nas sessões de hipnoterapia, nós vamos muito além disso. Nós removemos a emoção ligada ao evento durante ressignificação. Então, voltando ao exemplo da mulher que se sente culpada por tudo. Quando fazemos a regressão para os 3 anos de idade nós fazemos ela reviver aquela mesma cena porém agora sem nenhuma culpa. Isso que é de fato terapêutico.

Entretanto, por mais poderosa que seja a regressão ela está longe de ser a única técnica. Há outras técnicas derivadas de diversas escolas de psicoterapia que são muito eficazes também como Gestalt, PNL, terapia cognitiva e EMDR. Cabe ao terapeuta dominá-las e saber aplicá-las para o caso particular.

A Estrutura e a Duração da Terapia

Em primeiro lugar, marca-se uma consulta na qual colho a história do problema e da vida pessoal. Depois, explico em detalhes como funciona a hipnose e a hipnoterapia e então esclareço as dúvidas. Ao final, marcamos um dia para a sessão de hipnoterapia propriamente dita. Em geral, reservo 3 horas da minha agenda para estas sessões.

Na sessão, induzimos o estado de hipnose e logo passamos para a hipnoterapia. Nesta primeira sessão, costumo usar o protocolo OMNI que é o único protocolo de terapia com certificado ISO 9001. Isto garante objetividade a um procedimento que lida com algo tão subjetivo quanto a mente humana.

Como as técnicas contidas no protocolo são muito poderosas, algumas vezes, uma sessão única é suficiente. No entanto, eu costumo fechar um pacote de três sessões. Dessa maneira, podemos reforçar o que foi trabalhado na primeira sessão ou trabalhar o que talvez ainda esteja faltando. Dificilmente, mais de 3 sessões longas são necessárias para a resolução da questão no nível psicológico.

Compare este tempo de terapia com o requerido por qualquer outra escola de psicoterapia.

Indicações

Agora você já sabe que a  hipnoterapia é capaz de reprogramar o subconsciente. Este, por sua vez, influencia todos os componentes da mente.

Dessa maneira, você deve imaginar que isto pode ser útil para uma muitos tipos de problemas.

Seguem algumas indicações separadas por dois grandes grupos:

Hipnose Clínica

Buscamos solucionar problemas psiquiátricos e psicológicos ligados a crenças, emoções e hábitos disfuncionais. Alguns exemplos: auto estima baixa, crenças limitantes, dificuldades de relacionamento, dificuldades no desenvolvimento profissional, timidez ou fobia social, fobias em geral, depressão, transtorno bipolar, ansiedade, transtorno do pânico, transtorno obsessivo compulsivo(TOC) bruxismo, gagueira, compulsão alimentar, bulimia, anorexia, temperamento agressivo, tabagismo, alcoolismo, dependência química.

Hipnose Médica

Buscamos solucionar ou melhorar problemas médicos ligados a desregulação do sistema endócrino, imunológico e neurológico.

Exemplos: obesidade, enxaqueca, fibromialgia, dores crônicas com causa conhecida, asma, psoríase, doenças auto imunes, câncer.

Em alguns casos a hipnose resolverá totalmente o problema, enquanto em outros é claro que será necessário combiná-la com tratamentos biológicos. Obviamente, num caso de câncer por exemplo, a hipnoterapia não substitui o tratamento convencional. Ela serve como um adjuvante que visa a resolver uma das possíveis causas do câncer: emoções subconscientes disfuncionais que afetam a regulação da mente inconsciente sobre o sistema imunológico.

Evidência Científica 

A produção científica ligada a hipnoterapia ainda está aquém do que se esperaria para uma ferramenta de transformação tão poderosa. Mais adiante neste texto, você encontrará alguns motivos para isso.

Apesar disso, já há estudos que indicam a eficácia da hipnoterapia para diversas indicações. Segue uma amostra da evidência científica(tradução minha):

  • Depressão: “depois de revisar dois estudos clínicos randomizados, os resultados demonstram que a hipnoterapia é eficaz para depressão. Os estudos também revelaram que a hipnoterapia é mais eficaz em tratar a depressão do que os antidepressivos e a terapia cognitiva comportamental.” Simone Youssef, Is Hypnotherapy an Effective Treatment for Depression, 2013
  • Fibromialgia: “Os pacientes experimentaram menos dor em hipnose do que sem a hipnose”.Wik G, Fischer H, Bragée B, Finer B, Fredrikson M. Functional anatomy of hypnotic analgesia: a PET study of patients with fibromyalgia. Eur J Pain. 1999;3(1):7-12.
  •  Tabagismo: “De 43 pacientes consecutivos que fizeram o protocolo, 39 relataram que ficaram abstinentes do cigarro no seguimento de 6 meses a 3 anos”.  Barber J. Freedom from smoking: integrating hypnotic methods and rapid smoking to facilitate smoking cessation. Int J Clin Exp Hypn. 2001;49(3):257-66.
  • Dependência Química: “Todos(100%) os pacientes pararam completamente de usar drogas e os resultados permaneceram estáveis por 6 meses depois do final do tratamento. 2 anos depois, 78% continuaram abstinentes de heroina porem 22% voltaram a usar. 67% voltou a usar benzodiazepínicos e nenhum(0%) deles demonstrou uso permanente de maconha ou cocaína.” Kaminsky D, Rosca P, Budowski D, Korin Y, Yakhnich L. [Group hypnosis treatment of drug addicts]. Harefuah. 2008;147(8-9):679-83, 751.
  • TOC: “Há crescente evidência empírica que a terapia cognitiva comportamental(TCC) facilitada pela hipnose é mais eficaz para diversos transtornos psiquiátricos e psicológicos como o TOC do que a TCC sozinha.” Frederick C. Hypnotically facilitated treatment of obsessive-compulsive disorder: can it be evidence-based?. Int J Clin Exp Hypn. 2007;55(2):189-206.
  • Insonia: “Os pacientes dormiram significativamente mais quando em auto hipnose do que quando receberam placebo.”Anderson JA, Dalton ER, Basker MA. Insomnia and hypnotherapy. J R Soc Med. 1979;72(10):734-9.
  • Obesidade: ” Os pacientes que foram tratados com hipnose perderam mais peso do que 90% dos que não foram tratados com hipnose. Eles mantiveram a perda de peso por 2 anos após o fim do tratamento.” Allison DB, Faith MS. Hypnosis as an adjunct to cognitive-behavioral psychotherapy for obesity: a meta-analytic reappraisal. J Consult Clin Psychol. 1996;64(3):513-6.
  • Bruxismo: “Os pacientes com bruxismo demonstraram uma redução significativa da atividade no eletromiograma; eles também experimentaram redução significativa da dor facial e os seus parceiros relataram menos barulhos ligados ao bruxismo logo após ao tratamento e também no seguimento de 4 a 36 meses.” Clarke JH, Reynolds PJ. Suggestive hypnotherapy for nocturnal bruxism: a pilot study. Am J Clin Hypn. 1991;33(4):248-53.
  • Auto-estima e Irritabilidade: “Indivíduos que repetiram a auto-hipnose pelo menos 3 a 5 vezes por semana relataram os maiores níveis de auto-estima e serenidade e o menor nível de raiva e impulsividade em comparação com o grupo controle.” Pekala RJ, Maurer R, Kumar VK, et al. Self-hypnosis relapse prevention training with chronic drug/alcohol users: effects on self-esteem, affect, and relapse. Am J Clin Hypn. 2004;46(4):281-97

As técnicas de hipnoterapia usadas em cada estudo variam bastante, dificultando a comparação entre eles. Isso complica a análise da hipnose pelo método científico.

No entanto, de forma geral, a evidência científica indica que o uso da hipnose potencializa os resultados de qualquer técnica terapêutica que seja utilizada.

Na prática clínica, é exatamente isso que constatamos.

Em parceria com a Universidade de Zurique, a Omni Hypnosis Training Center – escola de hipnose onde me formei –  está fazendo um grande projeto de estudos fisiológicos, de neuroimagem funcional e clínicos para incrementar os dados científicos sobre a hipnose e a hipnoterapia.

A pergunta que não quer calar

Se funciona bem e rápido para boa parte das pessoas e tem evidência científica, por que esta ferramenta é tão pouco difundida entre os psiquiatras e os psicólogos?

Esta pergunta fica ainda mais séria se considerarmos que o médico escocês James Braid, ainda no século XIX, foi quem nos forneceu a descrição moderna deste estado e o termo que usamos até hoje para designá-lo: hipnose. Isto é, já sabemos que esta ferramenta existe e que pode ser útil há 200 anos. É verdade que só Dave Elman (1900-1967) e Milton Erickson( 1901-1980) nos legaram conhecimentos mais sistematizados sobre como utilizar este estado para otimizar a psicoterapia.

Mesmo assim, faz muito tempo. Então, a pergunta permanece:

Por quê os profissionais de psicologia e medicina continuam, em sua maioria, ignorando este tema?

Provavelmente,  o principal responsável tenha sido justamente o Dr. Freud. No início de sua carreira, ele usou a hipnose, porém depois abandonou. Na época dele, as técnicas de indução e de hipnoterapia ainda eram arcaicas. Por isso, ele decidiu trilhar um outro caminho ao qual denominou psicanálise. Devido a imensa influência da psicanálise na psiquiatria e na psicologia até a década de 80 do século passado, o estudo da hipnose foi tido como irrelevante. Ironicamente, muitas vezes, utilizamos a hipnose justamente para fazer de maneira rápida e eficaz aquilo que ele dizia ser o objetivo da psicoterapia: encontrar a causa subconsciente do problema e ressignificá-la.

Se a hipnose parecia não ter lugar no meio da psicanálise devido a influência do ilustre neurologista austríaco, menos ainda ela teria no atual modelo da psiquiatria biológica. Esta visa a tratar os transtornos mentais por meio de tratamentos biológicos, em especial, medicamentos. Baseia-se na premissa de que estes transtornos resultam de disfunções cerebrais que podem ser resolvidas ou minoradas com estas intervenções biológicas. Este modelo busca aproximar a área da psiquiatria às outras áreas médicas que utilizam o mesmo modelo. Nesse sentido, as intervenções não biológicas foram colocadas em segundo plano e passaram a ser exercidas por profissionais não médicos como os psicólogos.

Além de não caber no modelo da psiquiatria biológica do ponto de vista teórico, a hipnose também não cabe nele do ponto de vista financeiro. A maior promotora e propagadora deste modelo reducionista da psiquiatria biológica é a indústria farmacêutica que fatura bilhões de dólares pelo mundo com a venda de medicamentos psicotrópicos. A prescrição deles, por sua vez, depende do fortalecimento da crença no mesmo modelo entre os médicos/ prescritores  e os pacientes/consumidores. A indústria se beneficia ainda da crença geral na idéia de que não é possível eliminar os problemas, mas somente tratar os sintomas de maneira contínua com tais remédios. Dentro deste contexto, é claro que a hipnoterapia não é bem vinda.

Este deslocamento da hipnose dos currículos das faculdades e pós graduações é tão grande que a maioria dos hipnoterapeutas hoje em dia não é nem médico nem psicólogo. Eu, por exemplo, nunca ouvi falar destas técnicas nem na faculdade nem na residência médica. Só depois de formado, na busca de melhores soluções para os meus pacientes, tive a oportunidade de conhecer a hipnoterapia e a Omni Hypnosis Training Center que é uma das maiores escolas de hipnose do mundo. Com isso, hoje tenho a satisfação de poder oferecer esta poderosa ferramenta terapêutica aos meus pacientes.

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