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Medicina Funcional: o futuro da medicina

A despeito de todos os avanços tecnológicos e farmacológicos, o paradigma atual da medicina convencional não tem obtido sucesso no tratamento de  doenças multi facetadas e complexas como hipertensão arterial, diabetes, doenças auto imunes, depressão, fibromialgia e declínio cognitivo. A prevalência e a incidência destas doenças aumenta na mesma medida que a venda de fármacos destinados ao tratamento delas dispara.

Isso é o inverso do que aconteceu quando foram descobertos tratamentos e medidas preventivas efetivas para doenças infecciosas. Por exemplo, a síflis, outrora epidêmica, praticamente desapareceu com o advento da penicilina. Sendo assim, temos que mudar a rota caso realmente queiramos alcançar resultados satisfatórios no enfrentamento  dos atuais problemas de saúde pública.

A medicina funcional é a única resposta com embasamento científico para este problema. Ela não é uma nova tecnologia nem traz um novo remédio ou um novo procedimento, mas representa uma quebra de paradigma. É justamente disso que estamos precisando para enfrentar o crescimento de doenças como as supramencionadas.  

A mudança mais fundamental é a seguinte: o médico deve considerar o diagnóstico nosológico e o tratamento sintomático apenas como ponto de partida. Ele deve conhecer as causas gerais e a fisiopatologia das doenças que ele trata bem como investigar e tratar as causas particulares do adoecimento daquele indivíduo específico. 

A prática clínica atual é bem diferente disso. Em geral, funciona da seguinte forma: o médico é treinado para assumir que a fisiopatologia e as causas destas doenças mais complexas são praticamente desconhecidas e para prescrever medicamentos que visam a reduzir sintomas. O médico também é ensinado a esperar que apenas a indústria farmacêutica poderá desenvolver uma cura para estas enfermidades no futuro. Enquanto isso, os pacientes devem se contentar em tomar a medicação por tempo indeterminado, já que a doença é considerada crônica e incurável. A medicação prescrita deve ser baseada em estudos clínicos que demonstrem superioridade do fármaco ao placebo no alívio dos sintomas para a média dos pacientes estudados. Estes estudos só são considerados realmente válidos caso a amostra estudada seja bem grande. Ferramentas e teorias estatísticas são usadas para validar os resultados.

Na minha opinião, as principais falhas deste paradigma atual são as seguintes:

  1. Na verdade, é possível identificar e entender boa parte das causas e da fisiopatologia destas doenças complexas. Basta integrar ciência básica( fisiologia, bioquimica, psicologia, etc) com a clínica. No mínimo, é possível estabelecer um ou mais modelos – mesmo que imperfeitos – que expliquem a doença. Portanto, não deveria ser necessário contar apenas com a estatística para verificar se um tratamento é relevante ou não. Deveríamos nos apoiar também na fisiopatologia e na biologia da doença. Isto, inclusive, tornaria o trabalho estatístico mais fácil e, provavelmente, resolveria o problema das contradições frequentes de resultados entre estudos clínicos. É provável que esta variação de resultados ocorra com frequência porque as amostras estudadas costumam ser muito heterogêneas, pois não levam em conta a variação das causas de uma mesma doença nem a sua fisiopatologia. Por exemplo, há pessoas com depressão que têm níveis normais de serotonina e outras com baixos níveis de serotonina. Será que faz sentido testar um medicamento que aumenta serotonina nas pessoas com níveis normais de serotonina?
  2. De fato, há diversas intervenções não farmacológicas que podem ser efetivas no tratamento de doenças. Principalmente, se as causas das doenças forem estabelecidas, é possível que os próprios clínicos consigam fazer pesquisas relevantes com amostras menores e com foco no tratamento destas causas. Um exemplo brilhante disso é o trabalho do Dr. Ritchie Shoemaker sobre a síndrome da resposta inflamatória crônica(CIRS). Logo, a indústria farmacêutica deveria ser apenas uma das fontes de esperança de inovação nos tratamentos. Não a única.
  3. Os estudos clínicos são complexos e contam com amostras enormes, o que os torna muito caros. Eles tem que ser assim devido ao exposto no item 1. Dessa maneira, só a indústria farmacêutica e os governos federais podem patrociná-los. Isso gera um potencial viés nos próprios estudos, no paradigma de pesquisa e de tratamento.
  4. As revistas científicas importantes são financiadas pela indústria farmacêutica,  acarretando um viés de publicação. Os resultados positivos de um medicamento são publicados mais frequentemente do que os resultados negativos.

Isso não significa que está tudo errado e que todo o conhecimento produzido dentro deste paradigma deve ser descartado. No entanto, aponta a fragilidade e as limitações do paradigma atual.

Nesse contexto, seguem os outros princípios da medicina funcional:

  1. Nossa saúde não é predeterminada pelos nossos genes na grande maioria dos casos. Ninguém está destinado a sofrer de infarto, AVC, diabetes ou demência. Claro que há genes que podem predispor a isso, mas o importante é a epigenética. Isto é, quais mensagens estamos mandando para os reguladores da expressão gênica por meio dos nossos hábitos de vida como dieta, exercício, toxinas, radiação, estresse e etc. Somos capazes então de, a partir de nossas escolhas, reduzir a chance de desenvolvermos estas doenças crônicas. Muitas vezes, mudando certos hábitos podemos inclusive reverter estas doenças.

Compare este conceito com o papel estático e determinístico da genética na visão da medicina tradicional.

  1. As doenças crônicas como a demência, depressão e fibromialgia são causadas por uma desequilíbrio de certa funções fisiológicas. Muitas vezes mais de uma destas funções estão desequilibradas e, frequentemente, de maneira sutil. Por isso, estas enfermidades parecem não ter cura. Há muitos fatores que as acarretam, impossibilitando que uma única pílula mágica seja capaz de resolver o problema. Dessa forma, se quisermos prevenir ou tratar estas doenças, temos que corrigir esses desequilíbrios e ter uma visão sistêmica em oposição a tratar apenas um órgão.

Bem diferente da visão tradicional em que um remédio costuma ser a solução única para uma doença. Este é um legado da teoria do germe e do sucesso dos antibióticos. Este modelo é eficaz para infecções pois é suficiente para identificar e tratar a causa da doença neste caso, porem não funciona bem para doenças mais complexas e multi fatoriais como a depressão, a fibromialgia e o declínio cognitivo.

  1. A ausência de uma doença não significa bem estar. Por vezes, a pessoa ainda não tem nenhum problema que seja suficiente para caracterizar um diagnostico. No entanto, os sintomas dela já são sinais do desequilíbrio nas funções fisiológicas.

Confronte isso com a medicina baseada no diagnostico de doenças.

  1. A resposta de cada pessoa aos estímulos que ela envia para os seus genes por meio do seu estilo de vida, dieta e ambiente é particular dada a sua constituição genética única. Logo, as intervenções devem ser personalizadas.

Compare esta visão com a do paradigma atual que é baseado em estatística e médias.

  1. Medicamentos eficazes para o controle de sintomas são úteis principalmente a curto prazo, mas não costumam ser apropriados no longo prazo dados os efeitos adversos, a necessidade de uso continuo e a natureza paliativa do tratamento.

Confronte isso com os tratamentos baseados em prescrições complexas e quase eternas de um ou mais medicamentos para cada doença crônica diagnosticada por cada especialista.

Ainda vai demorar para que essa mudança de paradigma seja incorporada pelo establishment medico. Qualquer quebra de paradigma é sempre difícil e contestada no meio científico, especialmente, quando ela vai contra interesses financeiros como neste caso. É uma pena pois se os recursos de pesquisa fossem investidos utilizando este novo paradigma, provavelmente, haveria avanços bem mais rápidos e fantásticos para doenças de difícil tratamento. Um exemplo disso é o trabalho do Dr. Bredesen no campo da Doença de Alzheimer e do Declínio Cognitivo.

No entanto, já é possível usar estes princípios atualmente para obter resultados melhores para os pacientes, pois já se sabe bastante sobre causas e fisiopatologia das doenças. Faltava mesmo um novo paradigma que integrasse melhor todo esse conhecimento mais básico à prática clínica.

Portanto, a medicina funcional é a medicina do futuro e também do presente.

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