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Cerebro E Psicotropicos

Todos os Medicamentos Usados em Psiquiatria Viciam?

Esta é uma das perguntas mais comuns no consultório. Inclusive, esta dúvida chega a impedir uma série de pessoas de procurar um psiquiatra. Pode ser que esteja impedindo você ou um familiar seu também.

Como muitos presumem que todos os psicotrópicos são iguais e que todos viciam, não vão ao psiquiatra. Frequentemente, passam por uma série de profissionais que não têm as ferramentas certas para ajudá-las e acabam sofrendo muito mais por isso.

Antes de responder a pergunta, é necessário ter em mente dois conceitos básicos: 

Primeiro: os psicotrópicos são muito diferentes entre eles. Então, deve-se evitar generalizações como: “todos viciam”, “todos engordam” ou “todos fazem mal se usados por prazo mais longo”.

Segundo: dependência química – ou vício – é caracterizada por um uso descontrolado de uma substância mesmo que esta cause danos evidentes ao usuário. 

Você já viu alguém falar que está tomando compulsivamente o seu antidepressivo, porque fica com fissura? Ou alguém sofrer sérios danos a saúde por conta de um anticonvulsivante e não conseguir parar de usar mesmo assim?

Certamente, não.

Então, é claro que a resposta à pergunta do título também é “não”.

De fato, a maioria dos psicotrópicos não causa dependência química. 

No entanto, as seguintes ressalvas são necessárias: 

  1. Há alguns psicotrópicos que causam dependência. A regra geral é que os medicamentos “tarja preta” podem sim gerar dependência química. Por isso, devem ser usados com mais cautela quando indicados. Os principais exemplos são os ansiolíticos e os psicoestimulantes.
  2. Quase todos os psicotrópicos têm o potencial de gerar tolerância. Este é um fenômeno neurológico que também ocorre na dependência química. Devido ao uso regular de um psicotrópico, seja um medicamento ou uma droga, há uma adaptação dos receptores nas sinapses. Por causa disso, algumas vezes, é necessário aumentar a dose  para obtenção do mesmo efeito e também é necessário fazer reduções graduais das doses quando se quer parar de usar o medicamento. No entanto, este fenômeno neurológico não é condição suficiente para o desencadeamento de uma dependência química. Para isso ocorrer a substância deve estimular o centro do prazer no cérebro, o que não acontece na maioria dos casos. 

Portanto, se você tem preocupações em relação a isso, apenas converse com o seu psiquiatra sobre o assunto e peça a ele para tentar evitar ao máximo medicamentos que tenham o potencial de causar dependência.

Não  deixe de procurar ajuda  nem abandone seu tratamento por causa disso. 

Por Dr. Ivan Barenboim CRM 155.444 RQE 53559

Médico Psiquiatra e Diretor da Clinica OHR Psiquiatria 

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