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Tratamento da Depressão Baseado nas Causas

Atualmente, o tratamento da depressão costuma ser feito com medicamentos chamados antidepressivos. Normalmente, a prescrição ocorre na base da tentativa e erro. Para algumas pessoas este paradigma funciona, porém muitas pessoas sofrem por já terem tentado diversos tratamentos sem sucesso. Algumas delas, inclusive, continuam tomando múltiplas medicações que acabam gerando mais efeitos colaterais do que terapêuticos.

Nesse contexto, precisamos avançar o paradigma para um que contemple as causas gerais e individuais da depressão. Ou seja, precisamos ter um modelo que explique boa parte dos casos e ainda saber investigar causas que não se adequem completamente ao modelo. É necessário ainda que tenhamos ferramentas terapêuticas que sejam capazes de reverter as causas tanto no nível biológico quanto no nível psicológico.

Um Modelo da Depressão

A suscetibilidade genética, associada a experiências de vida traumáticas ou a intenso estresse, acarreta uma hiperativação no sistema límbico. Esta, por sua vez, gera alterações no eixo hipotalamo-hipófise-adrenal que promovem disfunções imunológicas, intestinais e em vias bioquímicas. Isso tudo acarreta neurotoxicidade e degeneração de sinapses límbicas que cronificam o problema.

Sendo assim, o tratamento ideal deve ser capaz de lidar com a regulação epigenética dos genes disfuncionais, com a  hiperativação do sistema límbico, com as alterações endócrinas, imunológicas, intestinais, bioquimicas e, por fim, regenerar sinapses.

Nesse contexto, fica fácil de entender por que o paradigma atual de tratamento não tem obtido sucesso em grande parte dos casos: ele é uma tentativa de reduzir um problema complexo a algo simples demais.

Causas Biológicas e o seu Tratamento 

Em primeiro lugar, precisamos reconhecer que há pessoas que têm uma tendência genética a desenvolver depressão. Por sua vez, esta tendência afeta a produção de neurotransmissores e a suscetibilidade ao estresse.

Sabemos ainda que vários sistemas do corpo afetam o funcionamento do cérebro e podem funcionar como causas ou perpetuadores da depressão. Por exemplo, deficiências nutricionais, alterações hormonais, disfunções intestinais, distúrbios imunológicos, estresse oxidativo, intoxicações e outros podem contribuir ou até causar a depressão. Algumas vezes, os traumas e o estresse geram a alteração biológica que, por sua vez, acarreta a depressão. Outras vezes, estes distúrbios biológicos podem ser a própria raiz do problema. Sendo assim, é necessário avaliar inclusive disfunções sutis que não chegam a causar doenças consideradas orgânicas, mas que podem sim causar um quadro psiquiátrico como a depressão. Do ponto de vista biológico, nenhuma área da medicina é tão sutil quanto a psiquiatria. Por conta disso, durante muito tempo, se atribuiu os transtornos psiquiátricos a problemas espirituais.

No entanto, felizmente, hoje sabemos que há disfunções biológicas identificáveis e tratáveis nos quadros psiquiátricos. O paradigma da medicina funcional e do pesquisador William Walsh me ajudam bastante com essa tarefa.

O William Walsh descobriu que é possível identificar cinco subgrupos bioquímicos ligados a depressão. Com exames bioquímicos simples é possível identificar a qual grupo o paciente pertence e reverter as alterações com suplementos nutricionais na maioria das vezes. Por exemplo, pode haver excesso de cobre ou deficiencia de zinco e outros elementos importantes para a saude mental. Esta parte do tratamento busca reverter as tendências genéticas a depressão.

A medicina funcional é uma mudança de paradigma da medicina justamente para a busca das causas biológicas gerais e individuais das doenças. Então, se procura alterações, mesmo sutis, na fisiologia do indivíduo que expliquem aquela patologia. O tratamento é baseado em reverter as causas, usando o método mais eficaz e com menos efeitos adversos, podendo ser um tratamento natural ou farmacoquímico. Este componente do tratamento busca reverter as alterações endócrinas, imunológicas, intestinais e outras que possam ser causas, mediadores ou perpetuadores da depressão.

Os medicamentos tradicionais, as infusões com cetamina e a atividade física sabidamente atuam regenerando as sinapses que foram afetadas. Sendo assim, podemos também pensar neles como componentes capazes de reverter uma parte das causas da depressão. Entretanto, idealmente, eles devem ser inseridos dentro desse contexto mais abrangente de tratamento, já que eles atuam apenas numa parte do problema.

Causas Psicológicas e o seu Tratamento 

Mesmo que a pessoa não tenha tendência genética, se ela for exposta a um ambiente muito traumático principalmente na infância, ela pode desenvolver um quadro depressivo. Por outro lado, se houver a tendência, qualquer evento ou estresse pode funcionar como um trauma.

Quando este componente de história de vida traumática é identificado é importante reverter os efeitos dos traumas, pois estes são responsáveis pela hiperativação do sistema límbico que, por sua vez, acarreta toda uma cascata neuro-endócrina que promove a depressão.

A hipnoterapia e a EMDR são especialmente úteis para este fim. Elas são capazes de retirar a importância emocional desses eventos e ajudar a pessoa a eliminar as emoções tóxicas ligadas a ele. Dessa forma, é possível regular o sistema límbico da pessoa, melhorando ou até eliminando os sintomas.

Saiba mais sobre estas ferramentas, clicando aqui e aqui.

Conclusão

Portanto, apesar de ainda haver muitas questões para esclarecer sobre a fisiopatologia e o tratamento da depressão, já é possível fazer muito mais do que apenas prescrever um antidepressivo para tratar a depressão.

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