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Mais um passo adiante no tratamento da depressão

Atualmente, o tratamento da depressão costuma ser feito com medicamentos conhecidos como anti-depressivos. Normalmente, a prescrição ocorre na base da tentativa e erro. Este paradigma funciona bem para cerca de 30% das pessoas, porém muitos paciente sofrem por já terem tentado diversos tratamentos sem sucesso. Alguns deles, inclusive, continuam tomando múltiplas medicações que acabam gerando mais efeitos colaterais do que terapêuticos.

Nesse contexto, precisamos avançar o paradigma para um que contemple as causas gerais e individuais da depressão. Ou seja, precisamos ter um modelo que explique boa parte dos casos e ainda saber investigar causas que não se adequem completamente ao modelo. É necessário ainda que tenhamos ferramentas terapêuticas que sejam capazes de reverter as causas tanto no nível biológico quanto no nível psicológico.

Um Modelo da Depressão

Sem entrar em detalhes excessivamente técnicos, proponho o seguinte modelo. 

A suscetibilidade genética, associada a experiências de vida traumáticas ou a intenso estresse, acarreta uma hiperativação no sistema límbico. Esta, por sua vez, gera alterações no eixo hipotalamo-hipófise-adrenal e na regulação do sistema parassimpático por meio do nervo vago. Isso promove disfunções imunológicas, intestinais e em vias bioquímicas, acarreta neurotoxicidade e degeneração de sinapses límbicas que cronificam o problema.

Sendo assim, o tratamento ideal deve ser capaz de lidar com a regulação epigenética dos genes disfuncionais, com a  hiperativação do sistema límbico, com as alterações endócrinas, vagais, imunológicas, intestinais, bioquimicas e, por fim, regenerar sinapses.

Nesse contexto, fica fácil de entender por que o paradigma atual de tratamento não tem obtido sucesso em grande parte dos casos: ele é uma tentativa de reduzir um problema complexo a algo simples demais.

Ainda que a nossa compreensão de todos esta fisiopatologia seja incompleta, na minha opinião, nós já temos parte do conhecimento para dar um passo adiante no tratamento da depressão.

Causas Biológicas e o seu Tratamento 

Em primeiro lugar, precisamos reconhecer que há pessoas que têm uma tendência genética a desenvolver depressão. Por sua vez, esta tendência afeta a produção de neurotransmissores e a suscetibilidade ao estresse.

Sabemos ainda que vários sistemas do corpo afetam o funcionamento do cérebro e podem funcionar como causas ou perpetuadores da depressão.

Por exemplo, deficiências nutricionais, alterações hormonais, disfunções intestinais, distúrbios imunológicos, estresse oxidativo, intoxicações e outros podem contribuir ou até causar a depressão.

Algumas vezes, os traumas e o estresse geram a alteração biológica que, por sua vez, acarreta a depressão. Outras vezes, estes distúrbios biológicos podem ser a própria raiz do problema. Sendo assim, é necessário avaliar inclusive disfunções sutis que não chegam a causar doenças consideradas orgânicas, mas que podem sim causar um quadro psiquiátrico como a depressão. 

Do ponto de vista biológico, nenhuma área da medicina é tão sutil quanto a psiquiatria. Por conta disso, durante muito tempo, se atribuiu os transtornos psiquiátricos a problemas espirituais.

Dessa maneira, as ideias da medicina funcional se encaixam bemA medicina funcional é uma mudança de paradigma da medicina justamente para a busca das causas biológicas gerais e individuais das doenças em contraste com a resignação a tratamentos meramente de controle de sintomas. Então, se procura alterações, mesmo sutis, na fisiologia do indivíduo que expliquem aquela patologia. O tratamento é baseado em reverter as causas, usando o método mais eficaz e com menos efeitos adversos, podendo ser um tratamento natural ou farmacoquímico. Este componente do tratamento busca reverter as alterações endócrinas, imunológicas, intestinais e outras que possam ser causas, mediadores ou perpetuadores da doença

É claro que um sistema como esse pressupõe um conhecimento profundo da fisiopatologia da doença para ser efetivo. Infelizmente, precisamos reconhecer que ainda não chegamos a esse ponto. Dessa forma, os medicamentos antidepressivos e a cetamina continuam sendo muito importantes. Mesmo assim, o conhecimento que temos sobre a fisiopatologia da depressão e sobre os fatores que podem agravar a doença já nos permite ir além do paradigma básico de tratamento apenas com antidepressivos. 

Por exemplo, é importante verificar se há deficiencia de zinco ou mutação no gene MTHFR, entre vários outros fatores que causam ou agravam a depressão. No entanto, isso costuma ser negligenciado, enquanto toda a ênfase é colocada nas medicações.  

Causas Psicológicas e o seu Tratamento 

Mesmo que a pessoa não tenha tendência genética, se ela for exposta a um ambiente muito traumático principalmente na infância, ela pode desenvolver um quadro depressivo. Por outro lado, se houver a tendência, qualquer evento ou estresse pode funcionar como um trauma.

Quando este componente de história de vida traumática é identificado, é importante reverter os efeitos dos traumas, pois estes são responsáveis pela hiperativação do sistema límbico que, por sua vez, acarreta toda uma cascata neuro-endócrina que promove a depressão.

A hipnoterapia e a EMDR são especialmente úteis para este fim. Elas são capazes de retirar a importância emocional desses eventos e ajudar a pessoa a eliminar as emoções tóxicas ligadas a ele. Dessa forma, é possível regular o sistema límbico da pessoa, melhorando ou até eliminando os sintomas.

Conclusão

Portanto, apesar de ainda haver muitas questões para se esclarecer sobre a fisiopatologia e o tratamento da depressão, já é possível fazer muito mais do que apenas prescrever um anti-depressivo.

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