Voltar aos Conteúdos
    EMT
    Publicado em Por Dr. Ivan Barenboim (CRM/SP 155.444, RQE 53559)10 min

    Estimulação magnética

    Estimulação magnética

    Teste de Depressão PHQ-9

    Questionário validado cientificamente

    9 perguntas
    3-4 min

    Descubra se você apresenta sintomas de depressão. Resultado imediato e gratuito.

    Ao iniciar o teste, você concorda com nossa política de privacidade.

    Por trás de cada sessão de estimulação magnética existe uma tecnologia que transforma eletricidade em campo magnético e campo magnético de volta em eletricidade, agora dentro do cérebro. Entender o funcionamento da estimulação magnética transcraniana ajuda a perder o receio do aparelho e a saber exatamente o que acontece durante o tratamento.

    O princípio físico por trás da estimulação magnética

    Tudo começa com uma descoberta de 1831. O físico inglês Michael Faraday mostrou que um campo magnético que muda rapidamente é capaz de gerar corrente elétrica em um material próximo. É essa lei, chamada de indução eletromagnética, que faz todo o processo funcionar.

    No tratamento, uma corrente elétrica muito intensa passa por uma bobina em uma fração de segundo. Isso cria um campo magnético breve e forte, que atravessa a pele e o crânio sem resistência e, ao chegar ao cérebro, induz uma pequena corrente nos neurônios da região escolhida. Em outras palavras, a estimulação magnética usa o magnetismo apenas como ponte para levar um estímulo elétrico ao tecido cerebral sem cortes, agulhas ou anestesia.

    A aplicação moderna dessa ideia em pessoas foi demonstrada em 1985, na Inglaterra, quando pesquisadores estimularam a área motora do cérebro e observaram o movimento da mão de um voluntário. Desde então, a estimulação magnética transcraniana evoluiu até se tornar um tratamento reconhecido.

    Como é a máquina de estimulação magnética transcraniana

    A máquina de estimulação magnética transcraniana tem três partes principais, cada uma com uma função bem definida:

    • Unidade de energia: Armazena carga elétrica em capacitores e a libera em pulsos extremamente rápidos.
    • Bobina: Peça segurada junto à cabeça do paciente, por onde a corrente passa e gera o campo magnético.
    • Sistema de controle: Computador em que o médico define intensidade, frequência, número de pulsos e intervalos.

    Alguns modelos incluem ainda um braço articulado para manter a bobina na posição correta e sistemas de resfriamento, já que a passagem de corrente aquece o material. Toda máquina de estimulação magnética transcraniana usada no Brasil precisa ter registro na Anvisa, como qualquer equipamento médico. Em termos simples, o estimulador magnético funciona como um gerador de pulsos ligado a uma antena muito potente.

    O estimulador magnético transcraniano e suas bobinas

    O formato da bobina define onde e com que precisão o estímulo chega. No estimulador magnético transcraniano, os tipos mais comuns são:

    • Bobina em forma de oito: Duas espirais lado a lado que concentram o campo em um ponto, permitindo atingir uma área pequena e específica.
    • Bobina circular: Gera um campo mais amplo e menos focado.
    • Bobinas para estimulação profunda: Desenhos especiais que alcançam regiões um pouco mais distantes da superfície.

    Na prática clínica para depressão, o estimulador magnético transcraniano costuma trabalhar com a bobina em forma de oito, direcionada para uma área da parte frontal do cérebro ligada à regulação do humor.

    O que é um estímulo magnético transcraniano

    Cada estímulo magnético transcraniano dura menos de um milésimo de segundo. O campo gerado chega a uma intensidade semelhante à de um exame de ressonância magnética, mas só por um instante, e alcança alguns centímetros abaixo da superfície do crânio.

    Isoladamente, um único pulso apenas ativa os neurônios por um momento. O efeito terapêutico vem da repetição: Milhares de pulsos aplicados em sequência, sessão após sessão. Por isso, o estímulo magnético transcraniano usado no tratamento é chamado de repetitivo.

    Como os estímulos magnéticos são programados

    Os estímulos magnéticos não são aplicados de forma aleatória. O médico programa o padrão de acordo com o objetivo:

    • Alta frequência: Pulsos rápidos, em geral dez por segundo, que tendem a aumentar a atividade da região estimulada.
    • Baixa frequência: Cerca de um pulso por segundo, com efeito oposto, de reduzir a atividade.
    • Theta burst: Pequenos grupos de pulsos muito rápidos, que permitem sessões de poucos minutos com resultado comparável ao protocolo tradicional.

    Com o tempo, os estímulos magnéticos repetidos promovem mudanças duradouras na comunicação entre os neurônios, um fenômeno conhecido como neuroplasticidade. É essa reorganização, e não o pulso em si, que explica a melhora dos sintomas. O padrão escolhido é ajustado de acordo com o diagnóstico e a resposta de cada paciente.

    Onde a estimulação magnética é aplicada no cérebro

    Na depressão, a estimulação magnética costuma ser direcionada ao córtex pré-frontal dorsolateral, área localizada na porção frontal e superior do cérebro que participa do controle das emoções, da motivação e da tomada de decisões. Em muitas pessoas deprimidas, o lado esquerdo dessa região trabalha abaixo do esperado.

    Por isso, o protocolo mais usado aplica pulsos de alta frequência no lado esquerdo. Em alguns casos, o médico opta por baixa frequência no lado direito, buscando o mesmo equilíbrio por outro caminho.

    Para localizar o alvo, existem três métodos principais:

    • Medida a partir da área motora: A bobina é deslocada alguns centímetros à frente do ponto que move o polegar.
    • Mapas do couro cabeludo: Pontos de referência também usados no eletroencefalograma, calculados a partir das medidas da cabeça.
    • Neuronavegação: Sistema que usa imagens de ressonância do próprio paciente para guiar a bobina em tempo real.

    Quanto mais precisa a localização, mais a estimulação magnética consegue atingir o circuito certo.

    A estimulação magnética e o limiar motor

    Antes de começar o tratamento, a intensidade precisa ser calibrada para cada pessoa, porque crânios e cérebros respondem de forma diferente. Para isso, o médico posiciona a bobina sobre a área motora e aumenta a intensidade aos poucos até que um pequeno movimento involuntário apareça no polegar da mão do lado oposto.

    O menor valor capaz de provocar esse movimento é chamado de limiar motor. A partir dele, a estimulação magnética é programada em uma porcentagem desse valor, o que torna a dose individual. Em seguida, a bobina é deslocada para a região que será tratada, definida por medidas da cabeça ou por sistemas de localização.

    O que muda no cérebro com a estimulação magnética

    Os pulsos repetidos fortalecem ou enfraquecem conexões entre neurônios, em um processo parecido com o que acontece quando aprendemos algo novo. Exames de imagem mostram que, depois de algumas semanas de estimulação magnética, a comunicação entre a região tratada e áreas mais profundas, ligadas às emoções, tende a se reorganizar.

    Esse efeito não é imediato. A estimulação magnética funciona por acúmulo: Cada sessão soma um pouco à anterior, e a melhora costuma aparecer ao longo das semanas. Por isso, a regularidade das sessões é tão importante quanto a intensidade programada, e faltar a várias aplicações seguidas pode atrasar o resultado.

    Quanto tempo leva cada aplicação

    A duração depende do protocolo escolhido. No modelo tradicional de alta frequência, cada aplicação leva entre 20 e 40 minutos, com pausas curtas entre as sequências de pulsos. No formato theta burst, a mesma etapa pode ser concluída em poucos minutos.

    Em geral, as sessões acontecem em dias úteis seguidos, durante algumas semanas. Esse ritmo existe porque o cérebro precisa de estímulos frequentes para consolidar as mudanças. Ao longo do caminho, o médico reavalia os sintomas e decide se mantém, ajusta ou encerra o protocolo.

    Por que não é preciso anestesia

    Diferente de técnicas que aplicam corrente diretamente sobre a pele, a estimulação magnética atravessa o couro cabeludo e o osso sem encontrar resistência. A corrente só surge dentro do cérebro, um tecido que não tem receptores de dor. O que a pessoa percebe são batidas leves e o som do pulso, e o eventual desconforto vem dos músculos do couro cabeludo, não do cérebro.

    O estimulador magnético também não deixa nada circulando no organismo. Não há substância no sangue nem efeito sobre a memória, e a pessoa sai da sessão com a mesma clareza com que entrou.

    Neuromodulação: Estimulação magnética transcraniana entre as técnicas não invasivas

    A estimulação magnética transcraniana faz parte de um grupo maior de terapias chamado neuromodulação, que busca alterar a atividade de circuitos cerebrais de forma controlada. Algumas dessas técnicas exigem cirurgia, como a implantação de eletrodos. Outras atuam de fora do corpo e formam o grupo da neuromodulação não invasiva.

    Dentro da neuromodulação, estimulação magnética transcraniana é a técnica com mais estudos em depressão. Na neuromodulação não invasiva, nada é implantado no corpo: O estímulo chega ao cérebro de fora para dentro, atravessando o crânio.

    A grande vantagem da neuromodulação não invasiva é dispensar internação, anestesia e recuperação. No campo da neuromodulação, estimulação magnética transcraniana se destaca justamente por combinar precisão no alvo e segurança.

    Estimulação magnética e eletroconvulsoterapia não são a mesma coisa

    Muita gente confunde as duas técnicas, mas elas funcionam de formas bem diferentes. A eletroconvulsoterapia aplica corrente elétrica diretamente pela pele, exige anestesia geral e provoca uma convulsão controlada como parte do tratamento.

    A estimulação magnética não usa anestesia, não provoca convulsão e não exige jejum nem período de recuperação. A pessoa conversa durante a sessão e volta à rotina logo depois. As duas têm indicações próprias, e a escolha depende da gravidade do quadro e da história de cada paciente.

    Mitos sobre a estimulação magnética

    Algumas ideias erradas ainda afastam pessoas do tratamento:

    • Dá choque: Falso. A estimulação magnética não passa corrente pela pele; a corrente surge só dentro do cérebro, em intensidade muito baixa.
    • Apaga a memória: Não há registro de perda de memória causada pelo tratamento.
    • Emite radiação: O campo magnético não é radiação ionizante, como a do raio X.
    • Magnetiza o cérebro: O campo dura uma fração de segundo e desaparece por completo.
    • Muda a personalidade: O objetivo é aliviar os sintomas, e não alterar quem a pessoa é.

    Como é o tratamento de estimulação magnética transcraniana

    Na prática, o tratamento de estimulação magnética transcraniana acontece com o paciente sentado, acordado e confortável. Ele usa protetores auriculares, porque cada pulso produz um estalo, e sente batidas leves no couro cabeludo durante a aplicação. Ao final, pode voltar às atividades normais, inclusive dirigir.

    Os efeitos mais comuns são leve dor de cabeça e desconforto no local nas primeiras sessões, que costumam diminuir com o tempo. Convulsão é um evento muito raro, e a avaliação prévia identifica quem tem risco aumentado. Pessoas com implantes metálicos na cabeça, como clipes de aneurisma ou implantes cocleares, em geral não podem fazer o tratamento de estimulação magnética transcraniana.

    Antes de indicar a EMT, o psiquiatra revisa a história clínica, os remédios em uso e possíveis contraindicações. No Brasil, o uso da técnica na depressão é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina desde 2012.

    Como a tecnologia evoluiu nos últimos anos

    A EMT de hoje é bem diferente da usada nos primeiros estudos. Quatro avanços mudaram a prática:

    • Sessões mais curtas: O formato theta burst, aprovado nos Estados Unidos em 2018 para depressão, reduziu cada aplicação a poucos minutos.
    • Protocolos acelerados: Esquemas com várias aplicações por dia, guiados por exames de imagem, permitem concluir o tratamento em poucos dias em casos selecionados.
    • Localização mais precisa: A neuronavegação passou a ser usada em mais centros, o que reduz a variação entre uma sessão e outra.
    • Novas indicações em estudo: Pesquisas avaliam a técnica em transtorno obsessivo-compulsivo, dependência de nicotina e dor crônica.

    Esses avanços mostram que a técnica continua em evolução, com protocolos cada vez mais ajustados ao perfil de cada pessoa.

    Como a Clínica Ór conduz o tratamento

    Em São Paulo, a Clínica Ór oferece o tratamento com estimulação magnética, com avaliação psiquiátrica antes do início, calibragem individual da intensidade e monitoramento da evolução sessão a sessão. Para quem não teve a melhora esperada com os remédios ou não tolera seus efeitos, a estimulação magnética é uma alternativa que atua diretamente nos circuitos do humor.

    O estimulador magnético moderno é seguro e preciso, mas o resultado depende de uma indicação correta e de um protocolo bem ajustado. Se você quer saber se a estimulação magnética se encaixa no seu quadro, procurar o Dr. Ivan Barenboim para uma avaliação é o primeiro passo.

    Precisa de ajuda profissional?

    Agende uma consulta e descubra como podemos ajudá-lo no seu tratamento.

    Agendar Consulta
    Fale conosco