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    Depressão
    Publicado em Por Dr. Ivan Barenboim (CRM/SP 155.444, RQE 53559)6 min

    Depressão mata aos poucos

    Depressão mata aos poucos

    Teste de Depressão PHQ-9

    Questionário validado cientificamente

    9 perguntas
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    A frase assusta, e não é exagero. Quando não recebe cuidado, a depressão mata aos poucos: Vai minando o corpo, o sono, o trabalho, as relações e, nos casos mais graves, a própria vontade de viver. O processo é lento e silencioso, e é justamente por isso que tanta gente só percebe o tamanho do estrago quando ele já está avançado.

    A boa notícia vem junto com o alerta: Esse percurso tem saída, e quanto antes ela é buscada, melhor. Entender como ele acontece é o primeiro passo para não deixar que avance.

    Por que se diz que a depressão mata aos poucos

    A expressão descreve um desgaste que se acumula. A depressão mata aos poucos porque não age em um único órgão nem em um único momento. Ela altera hormônios, inflamação, sono, alimentação e comportamento ao mesmo tempo, e cada uma dessas mudanças pesa um pouco mais a cada mês.

    Nos levantamentos da OMS, a depressão aparece entre as doenças que mais geram incapacidade no planeta. Estudos de longo prazo também associam o quadro a uma expectativa de vida menor, tanto pelo risco de suicídio quanto pelo aumento de doenças físicas. Na prática, depressão mata aos poucos por dois caminhos que se somam: O desgaste do corpo e o esgotamento da vontade de continuar.

    Efeitos da depressão no corpo

    Os efeitos da depressão no corpo são reais e mensuráveis. Entre os principais estão:

    • Coração: O risco de doenças cardiovasculares aumenta, e quem já teve um infarto tende a ter uma recuperação pior quando está deprimido.
    • Inflamação: O organismo passa a funcionar em estado inflamatório mais elevado, o que favorece outras doenças.
    • Metabolismo: Cresce o risco de diabetes tipo 2 e de alterações de peso.
    • Imunidade: As defesas ficam mais fracas, e infecções tendem a durar mais.
    • Sono: Noites ruins por longos períodos afetam a pressão, o humor e a memória.
    • Dor: Dores crônicas ficam mais intensas e mais difíceis de controlar.

    Esses efeitos da depressão no corpo raramente aparecem de uma vez. Eles se instalam devagar, e por isso costumam ser atribuídos ao estresse, à idade ou ao cansaço. Reconhecer que a depressão mata aos poucos também pelo corpo ajuda a entender por que tratar o humor protege a saúde física.

    Depressão piora com o tempo

    Um dos aspectos mais preocupantes é que a depressão piora com o tempo quando fica sem tratamento. Cada novo episódio aumenta a chance de outro, os intervalos de bem-estar tendem a encurtar e os sintomas podem ficar mais intensos.

    Há também uma explicação biológica para isso. O estresse prolongado afeta regiões do cérebro ligadas à memória e à regulação das emoções, e quanto mais tempo o quadro dura, mais difícil pode ser revertê-lo. Por isso, a depressão piora com o tempo não só na intensidade, mas também na resposta ao tratamento: Quadros antigos costumam exigir mais esforço para melhorar.

    Saber que a depressão mata aos poucos, e não de uma vez, muda a lógica da espera. Aguardar que passe sozinha raramente é uma boa estratégia.

    O que acontece se não tratar a depressão

    Muita gente se pergunta o que acontece se não tratar a depressão, imaginando que ela pode simplesmente desaparecer. Às vezes um episódio leve melhora sem tratamento, mas na maioria dos casos o quadro se arrasta ou volta. O que acontece se não tratar a depressão, em geral, segue um padrão:

    • Os sintomas se tornam mais longos e frequentes;
    • O sono e a energia ficam cada vez mais comprometidos;
    • Outras doenças surgem ou pioram;
    • O trabalho e os estudos sofrem perdas difíceis de recuperar;
    • O isolamento cresce, e a rede de apoio diminui;
    • O risco de pensamentos de morte aumenta.

    Responder ao que acontece se não tratar a depressão é, no fundo, explicar por que ela mata aos poucos: Cada perda alimenta a próxima.

    Consequências da depressão na vida

    As consequências da depressão vão muito além do humor. No trabalho, aparecem como faltas, queda de rendimento e, muitas vezes, afastamentos ou demissões. Nas relações, como brigas, distanciamento e separações. Nas finanças, como dívidas e decisões adiadas.

    Há ainda consequências da depressão no cuidado com a própria saúde. Pessoas deprimidas tendem a abandonar remédios de outras doenças, faltar a consultas, se exercitar menos e comer pior. O consumo de álcool também costuma aumentar, como tentativa de aliviar o sofrimento.

    Somadas, essas perdas criam um ciclo: Quanto mais a vida se desorganiza, mais pesado o quadro fica. É assim que a depressão mata aos poucos, mesmo quando ninguém percebe.

    Riscos da depressão grave

    Entre os riscos da depressão grave, o mais sério é o suicídio. Dados da OMS indicam que mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo, e a depressão é um dos fatores mais associados a essas mortes.

    Outros riscos da depressão grave incluem a incapacidade total de cuidar de si, a desnutrição, a piora acelerada de doenças físicas e, em alguns casos, sintomas psicóticos. Nessa fase, a depressão mata aos poucos de forma acelerada, e a situação exige atenção imediata.

    Alguns sinais pedem ajuda no mesmo dia: Falar em morrer ou em desaparecer, despedidas, planos de se ferir e uma calma repentina depois de muito sofrimento. Diante deles, procure um pronto-socorro. O CVV atende pelo número 188, em qualquer horário e sem custo.

    Depressão pode matar?

    Sim, a depressão pode matar, de forma direta e indireta. De forma direta, pelo suicídio. De forma indireta, pelo aumento de doenças cardíacas, metabólicas e de outros problemas de saúde que se agravam quando a pessoa está deprimida.

    Dizer que a depressão pode matar não é alarmismo. É reconhecer que se trata de uma doença séria, que merece o mesmo cuidado dado a qualquer condição grave. Muitas vezes, a depressão pode levar à morte justamente porque é tratada como fraqueza, falta de vontade ou fase passageira.

    Quando se entende que a depressão pode levar à morte, fica mais fácil buscar ajuda sem culpa. E esse conhecimento também ajuda familiares a levarem a sério os sinais de alerta.

    Perigos da depressão que passam despercebidos

    Alguns perigos da depressão são silenciosos:

    • A normalização: A pessoa se acostuma a viver mal e passa a achar que aquele é o seu jeito.
    • Os sintomas físicos: Cansaço, dor e insônia são tratados isoladamente, sem que a causa seja investigada.
    • O disfarce: Muitas pessoas continuam trabalhando e sorrindo enquanto sofrem por dentro.
    • O uso de álcool: A bebida alivia por algumas horas e piora o quadro no dia seguinte.

    Esses perigos da depressão fazem com que o diagnóstico chegue tarde. Conhecê-los é uma forma de encurtar esse atraso.

    Depressão não tratada e tratada: O caminho muda

    A depressão não tratada segue um curso de desgaste. A tratada segue outro. Com acompanhamento adequado, a maior parte das pessoas melhora, e o risco de complicações físicas e de suicídio diminui.

    O ponto mais importante é que a depressão pode levar à morte, mas não precisa levar. A depressão não tratada é o problema, e não a depressão em si. Os caminhos de cuidado incluem o tratamento adequado com medicação e psicoterapia, estratégias específicas para a depressão profunda e, quando os remédios não funcionam, abordagens para a depressão resistente, entre elas a cetamina ou sessões de estimulação magnética transcraniana.

    Nenhum quadro precisa continuar assim. Se você percebe que a depressão mata aos poucos a sua energia, a sua rotina ou a de alguém próximo, procurar o Dr. Ivan Barenboim para uma avaliação é o passo que interrompe esse caminho.

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