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    Psiquiatria
    Publicado em Por Dr. Ivan Barenboim (CRM/SP 155.444, RQE 53559)10 min

    Antidepressivos mais usados

    Antidepressivos mais usados

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    9 perguntas
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    Afinal, por que alguns remédios aparecem em quase toda receita de psiquiatria e outros quase nunca? Os antidepressivos mais usados não chegaram ao topo por acaso, nem por serem mais potentes. Eles ganharam espaço por uma soma de fatores que inclui segurança, facilidade de uso, preço e décadas de experiência acumulada. Entender essa lógica ajuda a olhar para a própria receita com outros olhos.

    Este texto tem caráter informativo. A escolha de qualquer medicamento, assim como a quantidade diária e o período de uso, depende de avaliação médica individual.

    Quais os antidepressivos mais usados hoje

    Quando se cruzam dados de vendas em farmácias, levantamentos de prescrição e diretrizes médicas, quatro grupos de substâncias aparecem com frequência:

    • Sertralina, escitalopram e fluoxetina: Formam o trio que lidera as receitas. Os três pertencem ao grupo dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, os ISRS, e costumam ser a primeira escolha para depressão e para vários transtornos de ansiedade.
    • Venlafaxina, desvenlafaxina e duloxetina: São a opção seguinte mais comum, muitas vezes indicados quando há dor física junto com a depressão ou quando o primeiro remédio não trouxe a resposta esperada.
    • Bupropiona e mirtazapina: Entram com frequência por motivos específicos. A primeira tende a pesar menos no peso e na libido; a segunda costuma ajudar quem dorme mal e perdeu o apetite.
    • Trazodona e amitriptilina: Somam muitas prescrições, mas boa parte delas em doses baixas, para sono ou dor, e não para tratar a depressão em si.

    Respondendo de forma direta a quem pergunta qual o antidepressivo mais usado: Na maior parte dos levantamentos recentes, a sertralina disputa a primeira posição com o escitalopram, e a fluoxetina vem logo atrás.

    Como a lista mudou com o tempo

    Os antidepressivos mais usados de hoje não são os mesmos de 40 anos atrás. Até a década de 1980, os tricíclicos dominavam as receitas, apesar dos efeitos colaterais incômodos e do risco em caso de doses altas. A chegada da fluoxetina abriu a era dos ISRS, que em poucos anos tomaram a liderança.

    Nos anos 2000, vieram o escitalopram, a duloxetina e a desvenlafaxina, que rapidamente ganharam espaço. Na década seguinte, chegaram opções como a vortioxetina. Mesmo assim, os remédios lançados há mais de 20 anos continuam no topo, sinal de que tempo de uso e confiança contam muito na hora de prescrever.

    O que leva um remédio ao topo da lista

    Nenhum desses medicamentos chegou à liderança por ser o mais forte. Os antidepressivos mais usados reúnem algumas características que facilitam o dia a dia do paciente e do médico:

    • Segurança: Os ISRS têm risco bem menor em caso de ingestão acidental de doses altas do que os tricíclicos, o que pesou muito na mudança de prescrição a partir dos anos 1990.
    • Comodidade: A maioria é tomada uma vez por dia, o que ajuda a não esquecer.
    • Poucas restrições: Não exigem dieta especial e têm menos interações graves do que os grupos mais antigos.
    • Preço: Quase todos têm versão genérica, o que reduz o custo de um tratamento que costuma durar meses.
    • Experiência: Foram estudados em milhares de pessoas ao longo de décadas, e os médicos conhecem bem o comportamento de cada um.

    Diretrizes internacionais de tratamento da depressão colocam esses remédios como primeira linha justamente por esse equilíbrio. Isso explica por que o antidepressivo mais usado em um país costuma ser o mesmo em outro.

    Antidepressivos mais usados no Brasil

    Quem procura o antidepressivo mais usado no Brasil encontra uma lista que não foge muito do padrão mundial. Sertralina, escitalopram e fluoxetina lideram nas farmácias privadas, seguidos pelos inibidores de serotonina e noradrenalina e pela bupropiona. Levantamentos do Conselho Federal de Farmácia mostraram alta expressiva na venda de antidepressivos durante a pandemia, e o consumo seguiu elevado nos anos seguintes.

    Na rede pública, o cenário muda. A lista oficial de remédios que o SUS distribui, conhecida pela sigla Rename, inclui principalmente fluoxetina, amitriptilina, nortriptilina e clomipramina. Por isso, em muitas cidades, o antidepressivo mais usado no Brasil pelo sistema público é a fluoxetina, enquanto nas receitas particulares a sertralina e o escitalopram aparecem com mais força.

    Um detalhe curioso: Como os genéricos dominam a venda, o mesmo princípio ativo chega ao paciente por dezenas de fabricantes diferentes, o que ajuda a manter os antidepressivos mais usados no Brasil entre os remédios de preço mais acessível da psiquiatria.

    Qual o antidepressivo mais usado no mundo

    Nos Estados Unidos, a sertralina aparece há anos no topo das listas de antidepressivos mais receitados, com dezenas de milhões de prescrições por ano. Na Europa, o escitalopram e o citalopram costumam ocupar as primeiras posições, com variações de país para país.

    A fluoxetina tem um lugar especial nessa história. Ela chegou às farmácias americanas em 1988, virou símbolo cultural nos anos 1990, foi capa de revistas e tema de livros, e mudou a forma como a sociedade passou a falar de depressão. Hoje ela integra, ao lado da amitriptilina, a relação de remédios essenciais definida pela OMS, que aponta o que todo sistema de saúde deveria ter à disposição.

    Antidepressivos mais usados para ansiedade

    Muita gente se surpreende ao saber que antidepressivos são o tratamento de base para a ansiedade crônica. Os antidepressivos mais usados para ansiedade são, em grande parte, os mesmos da depressão:

    • Escitalopram e sertralina: Primeira escolha frequente para ansiedade generalizada, síndrome do pânico e fobia social.
    • Paroxetina: Tem indicação ampla para transtornos ansiosos, mas costuma ser reservada para casos específicos por causa dos efeitos de retirada.
    • Venlafaxina e duloxetina: Opções consolidadas para ansiedade generalizada.

    A diferença em relação aos calmantes é que o antidepressivo trata a ansiedade de forma contínua, sem o risco de dependência dos benzodiazepínicos. Em compensação, a melhora leva algumas semanas para aparecer. Por isso, os antidepressivos mais usados para ansiedade às vezes começam com doses menores, porque as primeiras semanas podem deixar a pessoa um pouco mais inquieta.

    Antidepressivos mais usados em idosos

    Na terceira idade, o critério de escolha muda. O organismo processa os remédios de forma mais lenta, é comum haver outros medicamentos em uso e o risco de quedas e de confusão mental pesa na decisão.

    Entre os antidepressivos mais usados em idosos estão a sertralina, o escitalopram, a mirtazapina e, em alguns casos, a desvenlafaxina e a vortioxetina. Já a amitriptilina, a imipramina e a paroxetina aparecem em listas internacionais de remédios que pedem cautela nessa faixa etária, por causa de efeitos como tontura, prisão de ventre, boca seca e alteração da memória. Quando são necessários, o médico costuma ajustar a dose com ainda mais cuidado.

    Antidepressivos tricíclicos mais usados

    Mesmo tendo perdido o posto de primeira escolha para a depressão, os tricíclicos continuam muito prescritos. Os antidepressivos tricíclicos mais usados hoje são:

    • Amitriptilina: Muito usada em doses baixas para dor crônica, fibromialgia e prevenção de enxaqueca.
    • Nortriptilina: Costuma ser mais bem tolerada que a amitriptilina e também aparece no tratamento da dor.
    • Clomipramina: Ainda tem papel importante no transtorno obsessivo-compulsivo.

    Boa parte das receitas de antidepressivos tricíclicos mais usados, portanto, nem tem a depressão como alvo principal.

    Detalhes que diferenciam os mais usados

    Mesmo dentro do grupo de antidepressivos mais usados, cada medicamento tem particularidades que influenciam a escolha:

    • Fluoxetina: Permanece muito tempo no organismo. Esquecer um comprimido tem menos impacto, e a retirada costuma ser mais suave.
    • Paroxetina e venlafaxina: Saem rápido do corpo, por isso a suspensão precisa ser bem gradual para evitar tontura, irritação e sensação de choque.
    • Escitalopram: Costuma ter poucas interações, o que ajuda quem já usa outros remédios.
    • Bupropiona: É uma das que menos interferem na vida sexual, efeito que leva muita gente a abandonar o tratamento com outros remédios.
    • Mirtazapina: Abre o apetite e melhora o sono, o que é vantagem para uns e desvantagem para outros.

    Essas diferenças mostram por que não existe um ranking único que sirva para todos.

    Quais os antidepressivos mais usados fora da depressão

    Uma parte grande das receitas não tem a depressão como motivo. Quando se olha para outras indicações, a resposta sobre quais os antidepressivos mais usados muda bastante:

    • Insônia: Trazodona e mirtazapina, em doses menores que as usadas para o humor.
    • Dor crônica e fibromialgia: Duloxetina, amitriptilina e nortriptilina.
    • Transtorno obsessivo-compulsivo: Clomipramina, fluvoxamina e doses mais altas de alguns ISRS.
    • Parar de fumar: Bupropiona, que reduz a vontade de fumar e os sintomas da abstinência.
    • Prevenção de enxaqueca: Amitriptilina e venlafaxina.

    Ver um desses nomes na receita, portanto, não quer dizer que a pessoa esteja deprimida.

    Por quanto tempo costumam ser usados

    Os antidepressivos mais usados não agem de um dia para o outro, e o tratamento costuma ser mais longo do que muita gente imagina. Depois que os sintomas melhoram, as diretrizes recomendam manter o remédio por pelo menos seis meses a um ano no primeiro episódio, para reduzir o risco de recaída. Quando as crises já se repetiram algumas vezes, o uso pode se estender por anos.

    A retirada também tem hora certa. Ela é planejada com o médico, de forma gradual, quando o quadro está estável há tempo suficiente.

    Ideias erradas sobre os mais receitados

    Por estarem em tantas casas, os antidepressivos mais usados acumulam muitos mitos:

    • Viciam: Eles não causam dependência como os calmantes. O que pode acontecer é um desconforto passageiro se a suspensão for brusca, por isso a retirada é feita aos poucos.
    • Mudam a personalidade: O objetivo é devolver a pessoa ao seu jeito de ser, e não transformá-la em outra.
    • Todos engordam: O efeito no peso varia muito de um remédio para outro e de uma pessoa para outra.
    • São para sempre: A maioria das pessoas usa por um período definido e depois interrompe com orientação.
    • Funcionam igual para todos: Nem o antidepressivo mais usado do mundo garante resposta em todo paciente.

    Mais usado não quer dizer melhor para você

    Saber qual o antidepressivo mais usado é útil como referência, mas não responde à pergunta mais importante: Qual deles combina com a sua situação. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem reagir de forma completamente diferente ao mesmo comprimido. Uma melhora em poucas semanas; a outra sente efeitos colaterais e nenhum benefício.

    Por isso, a escolha leva em conta o tipo de sintoma, o histórico de tratamentos, outras doenças, a idade, os remédios já em uso e até a experiência de parentes com determinado medicamento. Copiar a receita de um conhecido, ainda que seja de um dos antidepressivos mais usados, pode atrasar o tratamento certo e trazer riscos.

    Também é comum que o primeiro remédio precise de ajuste. A resposta costuma ser avaliada depois de quatro a oito semanas em dose adequada, e só então o médico decide se mantém, aumenta a dose, troca ou associa outro medicamento. Mudar antes desse prazo, por impaciência, é um dos motivos mais frequentes de tratamentos que parecem não funcionar.

    Quando os mais usados não resolvem

    Nem sempre os antidepressivos mais usados trazem a melhora esperada, mesmo com dose e tempo adequados. Quando duas ou mais tentativas bem conduzidas não funcionam, o quadro passa a ser chamado de depressão resistente, e outras estratégias entram em cena.

    Na Clínica Ór, o Dr. Ivan Barenboim indica para esses casos a cetamina em infusão, sempre depois de uma avaliação psiquiátrica completa. Diferente dos comprimidos, que agem principalmente em serotonina e noradrenalina, a cetamina tem como alvo o glutamato, outro mensageiro importante do cérebro. Por isso, muitos pacientes percebem os primeiros sinais de melhora em horas ou poucos dias, e não em semanas.

    O que vale guardar

    Os antidepressivos mais usados ocupam essa posição por serem seguros, práticos e bem conhecidos, e não por serem os mais fortes. Sertralina, escitalopram e fluoxetina lideram as receitas, seguidos por outros grupos que entram conforme as necessidades de cada pessoa.

    Conhecer essa lista ajuda a entender o tratamento, mas quem bate o martelo sobre o remédio, a dosagem e a duração é o psiquiatra. Se o tratamento atual levanta dúvidas, ou se ele nem começou, uma avaliação especializada é o passo mais seguro.

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