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Cetamina para Depressão: Esperança ou Realidade? – Parte I

A depressão tem efeitos devastadores sobre todos os aspectos da vida do indivíduo e é uma das doenças que mais geram sofrimento e incapacidade ao seu portador. Além disso, ela também pode levar à morte principalmente por meio do suicídio.  

Este quadro se agrava ainda mais quando a pessoa busca a ajuda de um profissional habilitado e mesmo assim não melhora nada ou não melhora o suficiente.

Segundo dados de um famoso estudo sobre o tratamento da depressão, o STAR D, isso acontece com cerca de 60% das pessoas que se tratam com antidepressivos convencionais.  

Sendo assim, os antidepressivos são ferramentas insuficientes para ajudar boa parte das pessoas que sofrem com este mal. Logo, é muito importante que novas opções de tratamento sejam disponibilizadas para as pessoas.  

A cetamina é justamente umas das ferramentas úteis para preencher esta lacuna deixada pelos antidepressivos.  

Ela foi desenvolvida em 1962 como um anestésico de características muito peculiares. Desde então vem sendo usada em medicina em diversas situações.

Inclusive, muitas vezes, é usada para anestesia em pequenos procedimentos em pronto socorro pediátrico por não causar insuficiência respiratória e, portanto, não demandar o uso de respiração artificial.

Ela também foi muito utilizada durante a Guerra do Vietnã como um anestésico seguro que pudesse ser usado até por pessoas leigas durante as batalhas para o tratamento dos feridos. Com isso, ficou conhecida como “buddy drug” ou “droga do companheiro”. Caso um soldado fosse ferido, o seu colega leigo poderia usar a cetamina para tratá-lo.  

Recentemente, diversos estudos importantes demonstraram que ela também tem efeito antidepressivo intenso em horas ou dias em cerca de 70% dos pacientes que não melhoram com o tratamento convencional se usada em doses baixas. Estes mesmos estudos não reportaram efeitos colaterais graves psiquiátricos ou clínicos com o tratamento.  

Além da depressão maior, há evidência científica de que o tratamento é eficaz também para depressão no transtorno bipolar e transtorno do estresse pós traumático. Ela vem sendo estudada ainda para o tratamento do TOC, da fibromialgia e da dor crônica. 

Dessa maneira, a cetamina passou a ser vista como um potencial divisor de águas na terapia antidepressiva.

Como disse o diretor do Instituto Nacional de Sáude Mental dos EUA, Thomas Insel: “a cetamina por via endovenosa pode ser a novidade mais importante na terapia antidepressiva em décadas”.  

Nos EUA, já há uma série de clínicas oferecendo este serviço e obtendo resultados similares aos reportados na literatura científica.

No Brasil, nós estamos disponibilizando este tratamento.

Portanto, a cetamina já pode ser considerada uma alternativa real para o tratamento da depressão. 

Na segunda parte do artigo, respondo às perguntas mais comuns sobre o uso da cetamina para tratar a depressão. Clique aqui e saiba mais. 

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